Guiné-Bissau: o novo primeiro-ministro em disputa renuncia, enquanto a CEDEAO reitera seu apoio ao governo de Gomes - JeuneAfrique.com

A Conferência dos Chefes de Estado da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) reiterou, o 8 de novembro em Niamey, seu apoio ao governo de Aristides Gomes e brandiu a ameaça de sanções, durante uma cúpula extraordinária dedicada à crise bissau-guineense, cuja organização regional é a mediadora. No mesmo dia, o recém-nomeado Primeiro Ministro Faustino Imbali anunciou sua renúncia.

CEDEAO denunciou novamente a "ilegalidade" da decisão do presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, de destituir o governo de Aristides Gomes, instruído pela organização da África Ocidental a organizar as eleições presidenciais agendadas para novembro 24. "Os chefes de Estado e de governo expressaram sua profunda preocupação com essa nova mudança de eventos, colocando o país em risco político e institucional, além de uma potencial guerra civil", afirmou o comunicado divulgado sexta-feira.

Possíveis sanções também foram anunciadas. A Conferência dos Chefes de Estado "pediu ao presidente da comissão que propusesse uma lista de pessoas que cometeram atos para derrotar o processo eleitoral e a normalização política, para que sejam sancionados imediatamente", afirma a CEDEAO . Diante do clima de tensão, a organização regional também decidiu fortalecer o mandato e o pessoal da Ecomib, sua força empregada na Guiné-Bissau desde o 2012.

"Enviando a Bissau uma missão de chefes de estado"

"A Conferência decide enviar a Bissau uma missão de Chefes de Estado e de Governo liderada pelo Presidente da Conferência [nigeriana Mahamadou Issoufou] e composta pelos Chefes de Estado da Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné e Nigéria para transmitir ao Presidente Vaz as decisões da Conferência. Esta missão será precedida por uma missão dos Chefes de Estado-Maior da CEDEAO ", acrescentou o comunicado.

Vários presidentes da África Ocidental, organizados pelo ministro do Interior nigeriano Mohamed Bazoum, fizeram a viagem a Niamey para a cúpula presidida por Mahamadou Issoufou: Patrice Talon, Macky Sall, Julius Maada Bio, Nana Akufo-Addo, Faure Gnassingbe, George Weah, Roch Marc Christian Kaboré e Alassane Ouattara. Representantes da Guiné, Mali e Nigéria também estiveram presentes, assim como o presidente da Comissão da CEDEAO, Jean-Claude Brou.

Jomav ausente

José Mário Vaz (Jomav), no centro das atenções, foi no entanto o grande ausente desta reunião. Suzi Barbosa, ministro das Relações Exteriores da Guiné-Bissau, do governo de Aristides Gomes (demitido por Jomav em outubro de XIX), havia feito a viagem a Niamey.

"A Guiné-Bissau, um Estado Membro de nossa Comunidade, está passando por uma grave crise política e institucional, com conseqüências desastrosas para este país e para nossa sub-região", disse Mahamadou Issoufou, Presidente em exercício da organização, na abertura da cúpula.

Renúncia de Faustino Imbali

A reunião foi convocada por causa da determinação de José Mário Vaz, apesar dos avisos da comunidade internacional. Este definitivamente perdeu a paciência no 28 de outubro, quando o presidente demitiu o governo de Aristides Gomes, anunciando a nomeação de Faustino Imbali como primeiro-ministro. Sob pressão da CEDEAO, esta anunciou sua renúncia na sexta-feira.

Le o decreto presidencial foi considerado "ilegal" pela CEDEAOque, na sequência, ameaçaram tomar novas sanções. A organização recordou o consenso alcançado na cúpula de Abuja, o 29, em junho passado. Se permitir que o presidente Vaz, cujo mandato terminou no mesmo mês, permaneça no poder, a administração do país foi confiada ao governo Gomes, responsável pela organização do novembro 24 presidencial. Apoiada pelas Nações Unidas, União Africana e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a organização regional apoiou novamente o Primeiro Ministro Gomes e exigiu que o calendário eleitoral fosse respeitado.

Ultimato da CEDEAO

Mas José Mário Vaz, candidato (independente) à sua propriedade, persistiu e nomeou um novo governo. Seus partidários, como outros candidatos à presidência, denunciaram a interferência da comunidade internacional.

Os apelos de Vaz aos militares para forçar a instalação de Faustino Imbali no Palácio do Governo, ainda ocupado pelo governo Gomes, agravaram a irritação da CEDEAO. Em novembro 6, a instituição emitiu um ultimato de 48 horas antes de realizar a cúpula nesta sexta-feira. "O Comitê Ministerial está novamente fazendo um apelo solene a todos aqueles que foram treinados indevidamente no governo ilegal de Faustino Imbali para renunciar", disse Blaise Diplo, representante da CEDEAO em Bissau.

Este artigo apareceu primeiro em JOVENS ÁFRICA